Your eyes are the brightest of all the colors ♫

Catedral 


Os dias são iguais, saímos do colégio e vamos pra sua casa, deitamos na sua cama e ficamos ali, trocando beijinhos ou conversando coisas sem noção. Olho o relógio e é hora de ir, você se esconde debaixo do travesseiro e diz que é para eu ir sozinha, eu começo a rir e beijo teus lábios, enquanto minha mão procura teus pontos fracos e te torturo com cocégas até que você concorde em ir e diga meu nome rindo de uma forma que faz meu coração disparar. Então você se levanta, pentea o cabelo, eu te abraço e te beijo. Você leva 5 minutos para conseguir destrancar a porta e outros 5 pra trancar, a gente entra no elevador e fingimos que não tem nada acontecendo. Na esquina do seu prédio, nós abraçamos ou seguramos mãos, e em geral nesse momento, sempre tem uma dizendo pra outra "é brincadeira amor". Nos mesmos lugares, eu sempre faço a mesma piadinha sem graça que faz você olhar pra minha cara com nojinho. Paramos no mesmo lugar e te abraço sempre do mesmo jeito, com uma mão só, porque a outra segura meus materiais, roubo alguns beijos até que você perceba que tem alguém olhando e fica sem graça. Torço por dentro para que o onibus demore a chegar, e quando chega, eu te beijo e me seguro para não te abraçar, porque sinto que se te abraçar, não te solto mais. Pelo vidro, te vejo pela última vez.
Hoje, cheguei ao colégio e você não estava lá me esperando perto da escada como sempre. "Alguém viu a Flá?" "Alguém viu minha namorada?" Repeti essas palavras mil vezes antes que pudesse entrar para a sala e me aquietar numa aula de física, aonde só conseguia pensar "Aonde ela foi parar?"  sumi da sala antes que o sinal pro segundo horário batesse e fui até a sua sala, mas nada de você. Desci as escadas e fui até o portão, esperando que você estivesse ali, chegando atrasada. Mas ninguém sabia de você. Me perdi, queria ir embora ali, naquela hora. Meu terceiro horário era prova, Matemática, sem segunda chamada. Fiquei. Respondi a prova de qualquer jeito, inventei uma desculpa pra cordernação e sai apressada até seu prédio. Entrei direto, o porteiro já me conhece. Meu coração se apertou enquanto o elevador subia, quase tropecei em meus próprios pés. Toquei a campainha uma vez, nada, toquei outra e então sua mãe abriu-a. Sorri, percebi que a tinha tirado da cama, havia um vinco em seu rosto. Sentamos na cozinha e ficamos conversando durante um tempo até que você apareceu enrolada em um edredom e o nó no meu peito sumiu. O resto do tempo voou, é sempre assim. Fui embora mais tarde do que deveria e dessa vez, segui o mesmo caminho sozinha, sentindo falta do calor do teu corpo e do teus dedos frios. Dessa vez o onibus demorou, mas nao tinha você pra me encher de beijinhos. Sua ausência me fez perceber o quanto se tornou díficil ficar em qualquer lugar sem você, meu amor
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