Talvez eu precisasse de uma caneca de café e um maço de cigarros, mas vou tentar mesmo assim. Talvez isso seja uma grande perca de tempo - do meu tempo - toda essa coisa de me deixar levar. A questão é, não me lembro da última vez que chorei, da ultima vez que vi perfeição em olhos alheios. A vida ficou fria, cínica, comedida, perdida. Observo pessoas só para dizer com um sorriso amargo "Eu já sabia", orgulho já se tornou algo tão intimo que nem preciso chama-lo para que ele esteja aqui dentro, tomando conta, sendo dono. Então me sento, altiva, em meu trono, e critico tudo e todos, esqueço de qualquer sentimento que eu possa sentir, qualquer gargalhada real, ou qualquer dor.
As vezes engasgo, e as palavras teimam em querer sair, escapulir... só que agora já não é mais tão difícil evitá-las e salvar o maior desastre.
Eu tenho os segredos mais sujos, a maior maldade, o pior carater. Monto um personagem de ferro, com pulso firme e uma risada maldosa - e o mais importante, sem coração e sem alma - deixo-o por ali, fazendo do meu mundo o seu pequeno inferno particular, seu altar de fogo, seu lago de serpentes.
Talvez eu deva me afastar de mim mesma.
Postado por
Hannah D.
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