Talvez um banho gelado seja o melhor, mas não foi isso que ela fez, deixou o chuveiro pelando de quente, como gostava.
Estava cansada demais para sair e irritada demais para ficar, sabia que não deveria beber, mas antes mesmo de sair, um bom tanto de vinho já tinha sido sorvido, isso deixava sua memória em mode blur junto com os tantos de remédios que havia tomado. Anotou mentalmente de não beber enquanto tomava qualquer coisa. Andou alguns metros, mas então entrou num táxi e pediu para deixar em um bar qualquer da Ricardo. Ficou na cerveja, mas isso não a impediu de acabar no banheiro de um bar pequeno e sujo com alguém. Não se lembra do rosto, do nome, do corpo... Lembra das sensações contraditórias de prazer e nojo, no mesmo corpo. Lembra de lençois, não os seus, lembra de tomar um café. Mas a única lembrança clara que tem é do banho, de descobrir a marca roxa na virilha, alguns arranhados. De se esfregar tanto, de sentir vontade de bater a cabeça contra a parede. Foi para a cama mesmo sem sono, se encolheu e pensou que talvez assim, sem alma, ela poderia recomeçar.
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Hannah D.
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