A rua escura e vazia ecoava o som do salto, ela prendia os longos cabelos em uma esquina qualquer, o tecido fino do vestido se prendia entre seus dedos para não arrastar no chão. Em frente aos botequins, os homens - sóbrios ou não - mexiam com ela, mas sua mente, imprecisa, não escutava nada além dos seus pensamentos malucos e perdidos, e seu coração batia rápido - mas não devido ao medo daquela madrugada gélida - e na sua minuscula bolsa, o telefone tocava sem parar.
Entrou, como um fantasma, em seu apartamento e as roupas,sapatos se perderam em qualquer lugar da pequena sala e a água quente do chuveiro se confundia com as lágrimas que escorriam pelo rosto antes muito maquiado. No fundo sentia-se completa, mas tinha medo, muito medo de se perder naquele espiral doce do amor tão perfeito que havia encontrado.
