Sexo, letras e mentiras.

Tem gente que bebe, outras choram, eu trepo. Sim, nesse sentido mais sujo e vulgar da palavra, mãos sedentas, corpos vazios, rostos deformados... tudo pra curar um coração partido. Claro que ajuda se você tiver algo que te atordoa nas veias. Uma rua sem nome, um bar qualquer, mentiras. Nada como se senti vazia para se sentir melhor, nada como um banheiro escuro e uma cartela vazia de comprimidos, nada muito forte, só o somente pra te fazer esquecer de tudo pela manhã. Banho quente, as marcas roxas latejando e os os arranhões ardendo.  "Tanto faz, não importa", sussuro antes de entrar na cama de manhã, silênciosa, escondida de todos e até de si mesma. "Passou..." repito a mim mesma, não sem antes cravar minhas unhas - incoscientemente - nas minhas coxas, percebendo que o topor nunca foi real. Fecho os olhos, e as palavras se embaralham na minha mente. Por algumas horas, elas tiveram tudo que tem de mais poderoso dentro de mim, o amor perdido, e eu nem ao menos me lembro de seus rostos, nem ao menos me dei ao trabalho de saber seus nomes, elas me veem na rua e não me reconhecem, eu não me lembro delas. As palavras, tem muito poder nessa hora, tanto quanto o poder da fumaça do cigarro, você pode dizer o que quiser e ainda sentir o sexo molhado em seus dedos e o seio firme em seus lábios... E elas não ligam, muito menos eu. Eu tenho 13, 14, 15, 16 anos e não faço a mínima idéia de como voltar pra casa, não me importo. Tem mais um bar pela frente, mais um número no celular pra ligar, mas alguém com quem dividir uma dor que por algumas horas não existe.

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