Eu respiro tentando encher os pulmões de vida, mas ainda é dificil deixar qualquer luz entrar.
Ainda sinto por dentro toda a dor dessa ferida, mas o pior é pensar que isso um dia ainda vai cicatrizar.
Você consegue contar a verdade, mesmo que indiretamente? Eu não. Minha vida se cercou de mentiras, meia verdades, ironias e uma superioridade irreal. Agora, nem eu mesma sei quando estou dizendo a verdade e o que eu realmente sinto... já não sei mais o que é medo, porque medo já se tornou uma peça tão escancarada da minha realidade que não se diferencia da coragem. Medo é levantar da cama da manhã, coragem idem. O medo do presente se tornou a coragem de viver para o futuro, da mesma forma que a coragem de seguir em frente hoje se tornou o medo do dia seguinte.
E como um jogar xadrez com milhares de pessoas diferentes... eu mudo meu comportamento mediante o seu, mudando o seu mediante o meu, que muda de um terceiro ligado a nós. Por Deus! Ainda existe alguma verdade em algum relacionamento que eu vivo? Ainda existe alguém que faz as coisas simplesmente por vontade? Ou são todos iguais a mim, que criticam os céus mas tem os passos tão limitados quanto gueishas.
Eu tenho esses ciúmes incontrolaveis que eu não deveria sentir, essa coleção de sapatos que não uso, essa vontade enorme de fumar, esse medo esquisito de pessoas e uma fascinação apavorante pela morte.
Mas o que mais pesa nisso tudo, e o desejo mortal pela verdade.