For Always, Forever.

Quando ela me viu, beijou meus lábios sem desfazer o sorriso e sussurrou "Você está proibida de fazer sentido". Deitou na minha cama - sem pedir permissão - e desarumou meus lençóis, apontando o lado direito para que eu deitasse ao seu lado. Exercia uma atração fatal em mim, segui sem questionar... mas seus olhos estavam sonolentos apesar dos lábios que diziam coisas doces contra os meus, murmurou enquanto fechava os olhos lentamente "Gosto quando você canta pra mim." então eu me aconcheguei no seus ombros e escolhi no meu repertório mental as músicas mais lentas possíveis, até ouvir o ressonar suave e o movimento do peito contra o meu rosto. Sentei, luz da lua, deslizei os dedos pelos meus cabelos, música clássica da vitrola. Ela era uma estranha, uma estranha mas desarrumava meu quarto, meu lugar mais secreto e proibido. A luz - dela ou da lua, não sei - iluminou as cicatrizes que eu escondia de mim e o barulho de todas as louças da casa quebrando foi inevitável. Me olhou, com um sorriso preocupada e a voz sonolenta mais acalentadora do mundo "Por que está chorando?"  Me beijou até tirar meu folego, até que não pudesse chorar mais, deslizou as mãos pelas minhas coxas, deixando o calor dos dedos queimarem minha pela e se eu pudesse pensar, tudo que eu pensaria era "Eu te amo, eu te amo, eu te amo." e provavelmente eu tenha dito. Seu coração se acelerou contra o meu, talvez assim mesmo, contra o meu. Porque eu era dela, sou dela, serei dela. Sem nada além do que alma e coração, talvez até mesmo sem carne.








Sussurrou meu nome, bem baixinho, e eu pude olha-la... cabelos desgrenhados, lábios úmidos e os olhos, ah os olhos, desvendavam minha alma, me tiravam do caminho.
Perdi meus propósitos, segui o caminho dela sem olhar para trás, segui só para que nunca mais pudesse ter a mão dela longe das minhas, para que nunca mais pudesse dormir sem o braço abaixo da minha nuca. 
Segui porque era assim, desde o inicio, porque era pra ser. Ninguém nunca tinha tido a audácia de desarumar meus lençóis e ficar para ver.




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